Home Data de criação : 08/09/28 Última atualização : 12/01/10 12:06 / 603 Artigos publicados

SERENATA  (poesias) escrito em terça 10 janeiro 2012 09:06

Blog de poemasesonetos :RECANTO POÉTICO, SERENATA

Serenata

Repara na canção tardia
que timidamente se eleva,
num arrulho de fonte fria.

O orvalho treme sobre a treva
e o sonho da noite procura
a voz que o vento abraça e leva.

Repara na canção tardia
que oferece a um mundo desfeito
sua flor de melancolia.

É tão triste, mas tão perfeito,
o movimento em que murmura,
como o do coração no peito.

Repara na canção tardia
que por sobre o teu nome, apenas,
desenha a sua melodia.

E nessas letras tão pequenas
o universo inteiro perdura.
E o tempo suspira na altura
por eternidades serenas. 


Cecilia Meireles

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AMAR  (videos) escrito em terça 03 janeiro 2012 20:45

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DEFINIÇÃO DO AMOR  (poesias) escrito em terça 03 janeiro 2012 17:39

Blog de poemasesonetos :RECANTO POÉTICO, DEFINIÇÃO DO AMOR

O amor, por Gregório de Matos

Definição do Amor
 
Mandai-me Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
do Amor a ilustre prosápia,
e de Cupido as proezas.
Dizem que de clara escuma,
dizem que do mar nascera,
que pegam debaixo d’água
as armas que o amor carrega.
O arco talvez de pipa,
a seta talvez esteira,
despido como um maroto,
cego como uma toupeira
E isto é o Amor? É um corno.
Isto é o Cupido? Má peça.
Aconselho que não comprem
Ainda que lhe achem venda
O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.
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A UMA AUSÊNCIA  (poesias) escrito em terça 03 janeiro 2012 17:26

Blog de poemasesonetos :RECANTO POÉTICO, A UMA AUSÊNCIA

Sinto-me sem sentir, todo abrasado
no rigoroso fogo que me alenta;
o mal, que me consome, me sustenta;
o bem, que me entretém, me dá cuidado;

ando sem me mover, falo calado;
o que mais perto vejo se me ausenta
e o que estou sem ver mais me atormenta;
alegro-me de ver-me atormentado;

choro no mesmo ponto em que me rio;
no mor risco me anima a confiança;
do que menos se espera estou mais certo;

mas se, de confiado, desconfio,
é porque, entre os receios da mudança,
ando perdido em mim como em deserto.

ANTÓNIO BARBOSA BACELAR

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CANTIGA  (poesias) escrito em terça 29 novembro 2011 17:52

Blog de poemasesonetos :RECANTO POÉTICO, CANTIGA

Em Belém, vila do amor,
da rosa nasceu a flor, virgem sagrada.

Em Belém, vila do amor,
nasceu a rosa do rosal, virgem sagrada.

Da rosa nasceu a flor,
para nosso Salvador, virgem sagrada.

Nasceu a rosa do rosal,
Deus e homem natural, virgem sagrada.

E o menino dela nascido naquela noite vicentina
do Natal era o Salvador do Mundo,
descendente da alta
linhagem de David,
filho de Jessé.

Cantiga
(Gil Vicente)

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